que é um tema muito em voga, a julgar pela discussão que se levantou a partir do blog da Rititi, e pelas inúmeras capas de revista e artigos...
Nas últimas 24 horas deparei-me com três notícias idênticas, respeitantes, no entanto, a três pessoas diferentes.
A última, ainda agora, era sobre a Floribela, que enchia a capa de uma revista cujo título principal era qualquer coisa como "o novo peito de Floribella". Podia ainda ver-se um destaque para uma citação do género "estou muito contente".
Ontem tinha ficado embasbacada ao folhear outra revista, ao deparar-me com a dupla página sobre a Solange F., rapariga de "ares modernos e emancipados", longe do espírito gata-borralheira da anterior. Acrescentava, a dita cuja, que divulgava o feito para ajudar outras mulheres que se sentissem em dúvida, ou inseguras, ou qualquer coisa assim...
Antes disso, outra notícia semelhante sobre já nem sei quem, mas com certeza alguém importante, para merecer estas honras de destaque...
Bem, mas tudo isto vem no seguimento de inúmeras outras notícias sobre essa imensidão de novas vedetas que polulam o nosso quotidiano socio-cultural. Nas televisões, nas revistas, nos jornais, na publicidade, na cabeça das criancinhas, na cabeça dos homenzinhos e, pelos vistos, na cabeça das mulherzinhas do nosso país. (Falo do nosso país, porque este fenómeno, que há décadas invadiu os Estados Unidos, depois o Brasil,países da América Latina e Espanha, vem atacando com força os nossos brandos costumes.)
Há dias, em conversa, dizia eu que esta mania de corresponder aos novos estereótipos da mass-media, alastrou em Portugal com a introdução de novos canais televisivos. Que eu me lembre! Porque do tempo em que saíram as novas revistas "femininas", ficou a moda do Wonderbra e pouco mais...
Hoje em dia é estrondosa a quantidade de "miúdas" ou "graúdas" que vai e muda as mamas. Assim.
Vedetas, as que divulgam e as que não divulgam.
Modelos nem se fala (anda tudo na loucura!!!).
A comum das mortais.
É de todos os quadrantes...
Quase todas argumentam, assim como alguns defensores, que é para se sentirem melhor.
Que havia aquela parte do corpo com a qual não se sentiam bem, que se sentem mais sedutoras, que finalmente podem vestir vestidos sem soutien, etc...
(Ah, já sei, a outra era a Sónia Brasão!
Mas quem diz estas, diz muitas outras, que me lembre!)
E isto, tudo isto, me entristece e agride, senhores.
Porquê, poderão perguntar.
Porque não encaixo isto na puta da minha cabecinha.
Porque, como todos, cresci numa sociedade cada vez mais repleta de informação.
Porque vivemos no século XXI e não vivemos no século XXI.
Porque não evoluímos assim para "tão" melhor.
Porque o que as meninas querem não é ser como a Barbie. O que as meninas querem é ser como a Barbie e ser as novas meninas da TV Cabo. E ter como ambição ser as novas meninas da TV Cabo, é ter como ambição um nome e um número de telefone para um "Me Liga, Vai", esfregar com ar lascivo a careca de um "homem comum", envergar lingerie sugestiva (sem soutien, ui que alegria) para fazer babar o comum dos espécimes de género masculino.
Porque esta associação preversa entre beleza feminina e poder não é de hoje e pelos vistos é de amanhã.
Porque isto é o que querem as meninas, as mães e os pais das meninas, e os namorados das meninas.
Porque para quê ter projectos na vida, se nada preenche mais a auto-estima e o ego que um par de mamas.
Se acho estúpido centrar o nosso encanto numa parte do corpo, o que dizer de centrar o nosso encanto numa parte do corpo que adquirimos como um carro, um plasma ou um relógio Calvin Klein...
Mas não é para agradar aos homens. Sentem-se melhor consigo próprias. Ai sim? E porquê? Porque é uma sensação do caraças ter um implante no peito? Porque lhes faz bem à saúde? Porque é como ter sede e beber água?
É como esta nossa ditadura dos pelos. Arrancamos os pelos. Porquê? Porque é uma coisa perfeitamente natural? Porque dá um prazer dos diabos arrancá-los todos com cera, máquinas, ou o que fôr... é uma maravilha, melhor coisa não há, por isso fazêmo-lo com gosto.
Não. Porque somos escravas de uma cultura machista dominante, que serve fantasias pro-pornogáficas, mas já nem vale a pena entrar por aí, porque senão vou parecer uma feminista a acenar o soutien em chamas.
E quando falo em usar ou não usar o soutien, acho que se deve fazê-lo ou não por se sentir confortável, com ou sem. Fisicamente, quero dizer, que a estética, essa, tem muito que se lhe diga.
Portanto: Silicone nas mamas, se não é para agradar aos homens, é para quê?
E a obrigatoriedade de agradar aos homens é porquê?
Porque faz parte da atracção entre os géneros, na reprodução das espécies... ah.
Pois a mim parece-me que há qualquer coisa de errado aqui.
E assim vamos avançando a galope na evolução da espécie. Eu diria mesmo que as mulheres correm de gatas. Que é bom, do ponto de vista masculino, porque a posição de "quatro" é uma das que lhes enche as medidas.
Enfim.
Talvez o interesse em ser possuidora de um par de mamas de silicone seja o de que perduram. Quando todos estivermos transformados em pó, elas prevalecem. Continuam, ali, rijas e perfeitas, as próteses.